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CANUDOS-BA: CELC LEVA EXPERIÊNCIA COM MERENDA ESCOLAR PARA OUTRAS CIDADES DO BRASIL



O projeto Carne Nutritiva e Sustentável (CNS) vai levar a experiência de Canudos em alimentação escolar para Salvador e outras cidades do Brasil, que tem como base a flor da bananeira - conhecida como coração da bananeira ou umbigo de bananeira. A intenção é que o projeto sirva de base para a cidade de Canudos-Ba aprimorar os próprios programas de oferta de merenda.


"O projeto foi desenvolvido no Colégio Estadual Luís Cabral (CELC), no ano passado, com o objetivo de inserir o alimento na merenda escolar, visando reforçar e suprir a necessidade alimentar dos alunos que se deslocam muito cedo das comunidades rurais, como também compartilhar a receita 100% da flor da bananeira com os familiares, já que uma boa parte dos pais possui plantações de bananas, produzindo uma carne vegetal, nutritiva e econômica", explica a professora e orientadora Wilciane Soares Silva Ferreira.

Além da professora, o projeto também conta com a contribuição de alunos como Julia Jamily Dantas de Araújo, Maria Isabel Pinheiro de Almeida e Gilbertto Moura Santana.


Segundo Wilciane, o foco na alimentação escolar é fundamental, pois a escola é estratégica para a discussão da segurança alimentar e nutricional das pessoas. “O alimento foi aceito pela maioria dos estudantes; até porque paladar é relativo, o que é saboroso para mim, pode não ser para você, e vice-versa”, pontua a orientadora do projeto.

O experimento deu os primeiros passos quando apresentado na primeira Mostra de Iniciação Científica do Colégio Estadual Luís Cabral (MICCELC), juntamente com outros projetos. O mesmo período foi escrito para ser apresentado na Mostra de iniciação científica MICSESF (Feira Regional do Núcleo de Tecnologia Educacional 10 - NTE10 - em Juazeiro-Ba), um evento realizado no dia 21 de outubro de 2017. Na ocasião, as alunas Isabel e Júlia foram premiadas em primeiro lugar na categoria Humanas, ganhando assim uma credencial para participar da Feira de Ciências da Bahia (Feciba), maior feira de Ciências do Estado da Bahia, ocorrido nos dias 05,06 E 07 de Junho deste ano.

Na Feciba o projeto mais uma vez saiu premiado, agora em segundo lugar, com a contribuição novamente da aluna Isabel, na companhia do também aluno Gilbertto, pois Julia se mudou para cidade de São Paulo para cursar Ciências Biológicas na Universidade Federal de São Paulo.

Para a professora de biologia e seus alunos envolvidos no projeto, a percepção e a visão foram as mesmas, viram na flor da bananeira a oportunidade de oferecer à população canudense um alimento alternativo e saudável, e o melhor, de baixo custo, já que na região de Canudos a flor da bananeira é jogada for, sem nenhum (re)aproveitamento.

“O coração da bananeira é considerado uma iguaria em alguns países como Sri Lanka e China, e aqui no Brasil também, no estado de Minas Gerais. A partir dessas informações, nos inspiramos a fazer uma nova receita, diferente da que vimos na internet, com ingredientes de baixo custo, pois o nosso objetivo era permitir que a população, em especial a mais carente, tivesse uma carne riquíssima em nutrientes, sendo a ótima opção também para os vegetarianos” - pontua entusiasmada a aluna Isabel.

De acordo com a nutricionista clínica Érika Araújo Borges Cordeiro, responsável técnica pela alimentação Escolar no município de Canudos, o coração da bananeira é rico em fibras, ajuda a saciar a fome e por isso pode ser utilizado em dietas; possui flavonoides e antioxidantes, além de componentes químicos que atuam no processo antienvelhecimento, anticancerígeno e ajudam a proteger os dentes, tecidos, importantes para o bom funcionamento do sistema nervoso e muscular, e ainda ajudam na regulação da glicemia e da pressão alta.

A responsável técnica pela alimentação escolar no município de Canudos salienta que existem alguns cuidados a serem tomados com esse vegetal no momento do preparo, uma vez que essa parte da bananeira é sensível e pode sofrer escurecimento pela ação de enzimas, podendo deixar a preparação com qualidade visual comprometida e alterar suas características, principalmente o sabor.

“Um fato interessante, foi o cuidado de aliar o coração da bananeira ao ovo uma alimentação altamente proteica e de alta palatabilidade em nossa região, contribuindo muito para a aceitação inicial do sabor do vegetal, pois algumas pessoas que utilizam o coração da bananeira na culinária, relatam primeiramente o sabor pouco atrativo, mas depois, com uso associado a outros vegetais ou fontes de proteicas, como a soja, as preparações foram se tornando mais aceitas”.

A nutricionista clínica ainda ressalta: “O importante agora é seguir em frente com esse projeto, buscando novas formas de preparo para que o sabor seja plenamente aceito, principalmente entre as escolas da região, e assim o coração da bananeira possa fazer parte da nossa alimentação escolar e também da culinária do nosso semiárido baiano” e reitera: “a equipe está de parabéns pela brilhante iniciativa”.

Com base nas informações disponibilizadas pela orientadora do projeto, Wilciane Soares, o preparo da carne a partir do coração da bananeira utiliza os seguintes ingredientes: 14 Corações da bananeira; 1 Colher de sopa de bicarbonato de sódio; Água, Tempero a gosto (cebola, alho, pimenta de cheiro, coentro, pimentão, sal, tomate); ¾ de xícara de chá de óleo; 4 ovos

Essa receita rende 20 porções, acompanhada de outros pratos como arroz e cuscuz. Vale salientar que essa receita foi preparada e oferecida para degustação e avaliada por 100 alunos do Colégio Estadual Luís Cabral. “Eu achei a mesma coisa de está comendo carne. Essa experiência foi ótima, eu mesma adorei e aprovo a carne da bananeira, relata Beatriz, estudante do CELC, que participou dos experimentos.

Wilciane ressalta que a equipe tem desafios constantes e estão estudando uma forma de acelerar o preparo da carne. Segundo ela, esse é o maior desafio, já que cozinhar para muitos alunos “dar mais trabalho”. Acelerar o corte dos corações, como utilizar maquinaria que corte mais rápido pode ajudar no preparo. Ainda pensamos em procurar a forma de desidratar a flor, para prolongar o tempo de conservação, ao exemplo da soja que vende em mercados.

Então, que no término das apurações da reportagem, Wilciane dá um estalo: “Já ia esquecendo; foi minha mãe que me fez conhecer a carne, pois ela já tinha comido na cidade de Conselheiro Lafaiete, em Minas”.

Por fim, e orgulhosa, Wilciane destaca que o projeto Carne Nutritiva e Sustentável a partir do coração da bananeira estará participando do Primeiro Seminário Colaborativo das Escolas do Estado da Bahia, no período de 13 a 16 deste mês de agosto em Salvador.


Portal Formosa - Fonte: Márcio Malta/Euclidesdacunha.com


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