Projeto Jardins da Arara de Lear


Um dos principais objetivos da expedição Araripe/Canudos pelos sertões do Ceará, Pernambuco e Bahia que acabo de realizar na companhia dos amigos e também observadores de aves Nelson Cabral Pedro e Jose Sylvio Carvalho e guiado por Jefferson Bob, proprietário do Sito Pau Preto em Potengi-CE, um local incrível para observação de aves da Caatinga, foi o de conhecer em sua área de ocorrência natural, a  Arara Azul de Lear.

Trata-se de uma espécie criticamente ameaçada de extinção que ocorre exclusivamente na caatinga baiana, na região conhecida como Raso da Catarina. 

A espécie foi descrita por Charles L. Bonaparte (sobrinho de Napoleão Bonaparte), em 1856 a partir de um exemplar taxidermizado presente no Museu de Paris e de um indivíduo no  Zoológico de Anvers , os quais a origem era somente descrita como: do Brasil, sem localização precisa e por isso sua área de ocorrência permaneceu desconhecida por mais de um século. Na segunda metade do século XX, Olivério Pinto em uma expedição pelo Nordeste, encontrou um exemplar cativo no município de Juazeiro e indicou o Nordeste brasileiro como sua possível área de distribuição. Em dezembro de 1978, o ornitólogo e naturalista alemão, naturalizado brasileiro, Helmut Sick e colaboradores realizaram uma expedição partindo de Euclides da Cunha - BA à procura da espécie. A cerca de 11 quilômetros da cidade encontraram a região de Toca Velha com 21 indivíduos, finalmente precisando sua área de ocorrência.

A captura da espécie pelo tráfico para servirem como pet, a caça para alimentação e a eliminação do Licurí, uma espécie de palmeira cujo fruto é o seu principal alimento, estavam levando a espécie rapidamente para a extinção .

Em 1980 iniciaram-se os esforços de pesquisa e conservação das áreas de nidificação e dormitório, sendo 1983 criada a Estação Ecológica do Raso da Catarina. Em 1993, a Fundação Biodiversitas (http://www.biodiversitas.org.br) adquire uma porção de 130 hectares da área de Toca Velha e cria a Estação Biológica de Canudos, ampliada em 1 500 hectares em 2007, e passando a incluir todos os paredões utilizados como dormitórios e tocas de nidificação pelas aves. Hoje, graças a todos os esforços de Órgãos governamentais e Ongs de conservação, estima-se que a população dessas Araras seja superior a 1.700 indivíduos.

As fotos que fiz foram nos paredões da Estação Biológica de Canudos-Ba, onde além de conhecer todo esse esforço de conservação da espécie, pude também conhecer mais do trabalho de envolvimento com a comunidade local, muito bem realizado pelo projeto Jardins da Arara de Lear (http://www.araradelear.com.br/), iniciativa do amigo Aliomar Almeida e sua companheira Dalila Mouta, que visa justamente através de oficinas de geração de renda, envolver o sertanejo local na causa da proteção da espécie, principalmente quanto a proteção de suas áreas de alimentação onde se encontram as palmeiras Licurí, cujo fruto é seu principal alimento.

Fui, vi, conferi e agora lhes apresento algumas das mais de 600 fotos que fiz da encantadora Arara Azul de Lear. Outras virão depois rsrsrsrsrs.


Portal Formosa - Fonte: Canudos Acontece

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